segunda-feira, 30 de março de 2026

O Fim de uma Era

 


A vida é feita de ciclos. Economia, Política, Profissões e outras áreas também. Há ciclos que não tem exatamente um fim, mas um decaimento, um arrefecimento aos poucos, até que somem. Certas profissões, por exemplo, não somem de repente, como que por decreto. Mas vão simplesmente sumindo, aos poucos, pela irrelevância ou obsolência em novos tempos.

Mas há coisas que somem num momento. Por ato de um decreto ou acontecimento.

Quando isto acontece, sempre fica mais fácil virar a chavinha e passar para outra fase. E isso é muito melhor do que ficar “batendo cabeça” em uma fase ou ciclo indefinido ou moribundo.

Na tecnologia, as mudanças graduais misturam-se, geralmente, às mudanças de uma vez só.

Recentemente, no fim de 2025, encerrou-se um ciclo na tecnologia usada no comércio por decreto governamental. Quem é dono de loja e emitia Cupom Fiscal eletrônico sabe do que estou falando: o SAT (Sistema Autenticador e Transmissor). Extinguiu-se por ordem do governo em 31/12/2025. Havia iniciado em 01/01/2016. Portanto, foram exatamente 10 anos usando este método no estado de São Paulo para emitir documentos fiscais para vendas no varejo.

Um sistema que oferece agilidade e exatidão de informações. Ao governo, possibilidade de fiscalização automática. Ao cliente, clareza no fornecimento do documento fiscal por parte do lojista. E a este, a possibilidade de estender a exigência do governo em apenas emitir uma nota para também fazer uma informatização completa em seu estabelecimento.

Antes deste método, eram usadas as impressoras fiscais, o ECF (Emissor de Cupom Fiscal). Permitia uma fiscalização do governo, mas não trazia a ideia de uma informatização integrada, entre método de fiscalização do governo e gestão da loja. O sistema seguinte, este que se extinguiu agora, que operou na década entre 2016-2025 era eletrônico, forçando os lojistas a fazerem um melhor controle de sua gestão.

Custo Brasil. É um termo que define o custo que existe, no Brasil, para empreender. É formado de muitos componentes. E um deles é a falta de agilidade, modernidade e gestão adequada por parte das empresas. Ao implantar um sistema informatizado, a empresa melhora e moderniza sua gestão, agilizando seus processos. Mas isso só se usar da forma adequada. Se apenas usar um software de computador para emitir a Nota Fiscal eletrônica, o empresário não vai usufruir de muitas vantagens. Sem contar que vai se frustrar, por sentir que está investindo um valor como se fosse apenas para cumprir a exigência do governo em emitir os documentos fiscais.

Mas se o processo de emissão de DF-e (Documento Fiscal eletrônico) servir como um motivador para o empreendedor estender o processo de informatização para outras áreas de sua empresa, como gestão de estoque, financeiro, de clientes etc., então isso pode levar sua empresa a um nível maior de excelência, tornando-se destaque em sua região.

Durante a fase em que o SAT funcionou no Estado de São Paulo, as empresas foram levadas a informatizar seus estabelecimentos. O sistema usado ainda requeria um hardware para funcionar, em conjunto com software. Agora, desde que este sistema foi abolido, o funcionamento é totalmente via software.

Foi uma fase de transição interessante. Antes, um sistema só de hardware para gerar e armazenar os documentos fiscais. Depois, um sistema que usava um hardware para gerar, mas armazenava via arquivo. Agora, totalmente via software, na geração e armazenamento.

Nesta nova fase, com o fim daquela anterior, seria de ótimo proveito se os empresários entendessem que dá pra fazer muito mais com um bom software de gestão. Dá pra realmente gerir o negócio. Usar o processo exigido pelo governo como ponto de partida, mas avançar em direção a uma gestão de excelência, que venha a realmente fazer com que o negócio gere mais lucro, seja mais eficiente.

Houve uma época que somente grandes empresas podiam ter acesso a softwares de gestão completos. ERPs e CRMs capazes de auxiliar em decisões estratégicas hoje estão disponíveis para microempresas.

Seria um desperdício monumental não tirar proveito disso. O empurrão que o governo dá, forçando empresas a utilizar um sistema informatizado deveria ser aproveitado a ponto de que elas fizessem uma gestão completa de suas empresas usando a tecnologia disponível.



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