segunda-feira, 27 de julho de 2026

Tem faculdade para Microempresário?


Ser microempresário é muito mais do que vender produtos: exige noções de contabilidade, administração, marketing e tecnologia. 

Não há “faculdade” que prepare para todos esses desafios, mas há uma certeza: o aprendizado precisa ser constante.
Sem atualização e treinamento, a jornada empresarial pode parar antes do tempo.


Certa vez, quando o governo deu aos microempresários um prazo para implantar a emissão de Cupons fiscais eletrônicos, tivemos que fazer um esforço para que todos conseguissem cumprir com as exigências legais dentro do prazo. Fizemos os ajustes técnicos e disponibilizamos para os microempresários que utilizavam nosso software a capacidade de emitir CF-es (Cupons Fiscais eletrônicos).

Porém, junto com esta disponibilização, vieram algumas exigências a mais para os donos das empresas. A emissão de documentos fiscais por um meio eletrônico exige que informações corretas sejam dadas durante o processo de emissão. Não é como preencher uma nota fiscal de papel usando uma caneta. O sistema informatizado faz conferências e verificações, aponta erros e não permite que o processo prossiga ou finalize se houver algum tipo de erro.

Suzane precisava aprender a realizar este novo procedimento e, ao implantar o novo método de emissão de notas, recebeu algumas orientações quanto a códigos contábeis, fiscais e informações que o processo exige que sejam feitas.

Durante a conversa, em meio a muitos dados, Suzane questionou:

  • Puxa vida, vou ter que fazer uma faculdade de contabilidade pra isso, agora?

Respondi que o processo exigia alguma atenção, mas que não era pra tanto.

Porém, esta situação e conversa nos faz pensar em outra coisa:

Se fôssemos levar a lógica da Suzane à risca, o microempresário não precisa apenas de um curso de contabilidade, mas também de administração, de marketing e talvez alguns outros.

Mas claro que isso é impossível.

Mas nem tanto inválido.

A verdade é que um microempresário precisa ter uma gama de conhecimentos variados, ainda que não especialista neles, precisa ter noções de administração, Marketing, Contabilidade e outras coisas mais, a fim de gerenciar corretamente sua empresa.

Aliás, as faculdades nestas áreas não são muito úteis para o microempresário. Isso porque estas matérias são ensinadas na faculdade tendo em vista a administração de empresas grandes. Não se ensina nas matérias da faculdade como empreender ou como administrar uma microempresa. Como uma amiga, formada em administração, que passava por dificuldades financeiras na empresa disse ter ouvido de um conhecido certa vez: “Olha, você não fez administração, então porque não resolve o problema da empresa em dificuldades?”. Ao que ela respondeu: “olha, na faculdade aprendemos a administrar o dinheiro, não a falta dele.” E, além da questão financeira, há muitas outras coisas na realidade de uma microempresa que não são iguais à realidade de uma empresa grande, daquilo que geralmente é ensinado na faculdade.

Mas é verdade que se o Microempresário não tiver noções gerais de um pouco de cada um destes assuntos, terá dificuldades de gerenciar sua empresa. Conhecimentos básicos em tecnologia também estão incluídos nesta gama de conhecimentos necessários.

Mas, mesmo quando o microempresário inicia sua jornada sem muito preparo teórico, o que já não é muito aconselhável, o certo é que ele não irá conseguir ir muito longe se não mantiver uma rotina de treinamentos e aperfeiçoamento nas atividades essenciais da sua empresa.

Tenha uma coisa em mente:
pra quem pretente ser microempresário,
aprendizado é constante e até o final da jornada.
Só para quando fechar a empresa.

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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Operacional X Gerencial


Muitos microempresários são apenas funcionários de si mesmos, presos ao operacional e sem tempo para gerir.

O verdadeiro crescimento vem quando o dono assume o papel de gestor, delega tarefas e foca no futuro.
Descubra, na prática, como deixar de ser refém da rotina e aprender a administrar para fazer sua empresa prosperar.


Eu conheço vários microempresários que nunca tornaram-se donos de seu próprio negócio! Você conhece alguém assim? São empresários que são os melhores funcionários de si mesmos. Trabalham o tempo todo, resolvem de tudo. E, realmente, mantém seu negócio vivo. Mas, aparentemente, seu negócio só fica vivo enquanto ele, o dono, está ativo.


É o tipo do patrão que, quando não puder estar na empresa, esta para.

Tudo depende dele. Tudo é do jeito dele. Ninguém faz nada sem perguntar pra ele.

Em alguns casos, é questão de ego, mesmo.

Em outros, pura incapacidade de gestão, de delegar, de gerir corretamente.

Os funcionários estão lá. Mas ele gerencia como se não estivessem.


Numa empresa, podemos dividir as tarefas existentes em 2 tipos: as tarefas operacionais e as gerenciais. Num resumo rápido, operacional é tudo o que se faz para manter a empresa operando, funcionando, aberta. Atender cliente, receber no caixa, repor mercadoria, prestar o serviço em si, comprar, vender etc. Ou seja, fazer o que tem que ser feito para a empresa continuar funcionando. Já o gerencial é aquilo que gerencia. Parece óbvio, mas muitos não entendem. O que é gerenciar? É direcionar as tarefas, é organizar e comandar o operacional. Mas não apenas isso, porque senão seria um gerente-operacional. É gerenciar, com uma visão à frente do que simplesmente o dia a dia proporciona. Gerenciar é antecipar o prejuízo, é antever o problema, é dar a solução antes do que seja necessário. Quem gerencia, comanda com uma visão no futuro. Tem clareza sobre para onde a empresa está indo, o que precisa fazer e, principalmente, como colocar isto em prática desde já, desde antes de ser necessário. Isso é gerenciar.

Eu já vi pessoas contratadas para serem gerentes que não passam de um “faz tudo”, que suprem as faltas dos funcionários, fazem o que eles não fazem (ou não sabem fazer bem), que ficam aqui e ali, como doidos, preenchendo lacunas. Pior, já vi proprietários agirem assim.

E, na verdade, qual o problema disso? O problema é que a empresa que é administrada nestes moldes, sem gerência de verdade, está apenas sobrevivendo, correndo um sério risco de deixar de existir e, com certeza, jamais irá crescer. Pelo menos não de forma consistente. Pode até ter pequenos inchaços, mas que são logo esvaziados para voltar à situação anterior, ou pior.

Tem proprietário que é um ótimo funcionário de si mesmo.

Faz tudo. Resolve tudo. Não delega nada. Não analisa nada.

Geralmente não sabe para onde a empresa vai. Nem sabe se tem alguma meta.

Vai fazendo a tarefa cotidiana para ver onde vai dar.

Tem patrão assim que fica até esperando aprovação e elogio dos funcionários.

“Olha que patrão trabalhador”. “Puxa, o chefe sabe fazer de tudo mesmo”.


E parece até que é uma coisa boa. Mas quem devia estar cuidando do operacional, das tarefas do dia, daquilo que faz a empresa se manter funcionando são os funcionários, mesmo quando se tem algum problema pra resolver.

E o chefe, faz o quê?

Analisa, observa, redireciona, pensa no futuro, analisa relatórios, prevê situações, não como um vidente, mas como um analista. O chefe toma decisões para cada uma destas situações. Verifica se o andamento de como as coisas estão funcionando devem continuar do mesmo jeito ou precisam de ajustes. O patrão cuida do futuro, da estabilidade atual com uma visão no crescimento. Há segmentos de mercado que se não crescer já está morrendo. O patrão cuida de modernizar, ver onde pode melhorar, cortar custos onde podem ser cortados. Tem muita coisa a ser feita que só o dono pode fazer. Exige atitude, autoridade para tomar a atitude. Exige que tenha iniciativa.

Mas tem proprietário que nunca vira a chavinha.
Será sempre funcionário. De si mesmo!

O patrão cuida das pessoas que trabalham para ele, não fazendo o que elas já fazem, como se fosse coleguinha. Mas tem patrão que fica do lado dos funcionários da forma errada. Para que uma empresa prospere, o proprietário, o dono precisa agir como tal. Ou, pelo menos, ter alguém que o faça em seu lugar. Mas esta é uma outra questão, de como ele cede o próprio lugar para um terceiro e mantém-se no operacional.


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